quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

DO BOBO








Quando um bobo libera seu entusiasmo, sinto-me constrangido por sua alegria. A verdade é que me sinto ameaçado. Ele parece se divertir de olhos fechados, enquanto eu me sinto infeliz de olhos arregalados.

Edjackson M. F.





domingo, 16 de dezembro de 2012

Quem são os verdadeiros terroristas?



         


           No dia três de dezembro de 2012 conheci alguém que mudaria minha história, e de história entende-se aqui da tríade temporal – passado, presente e futuro.  Seu nome Abdul-Salam, 24 anos de idade, originário do Iraque. Suas características físicas são típicas de sua comunidade: moreno claro de tom pastel, 1,75m, barba completa e de uma postura resoluta e pacífica, todavia séria. Sua história foi o melhor presente de Natal antecipado – uma tapa na cara no mundo ocidental. Ele me trouxe uma reflexão sobre a pessoa que eu sou, meus valores e meus projetos.
            Uma vez que eu trabalho nas sextas-feiras como voluntário em uma associação para integração de estrangeiros na Alemanha[i], fui designado para acolher Abdul no projeto porque era o único no dia que poderia me comunicar com ele em inglês. Ele estava acompanhado dos dois irmãos, Ali de sete e Mohammed de 11 anos de idade.  As crianças estavam bastante atentas em tudo que eu fazia ou falava como se estivessem em posição de alerta. Fiquei receoso em seguir o protocolo de preenchimento das fichas, acompanhado pela apresentação do projeto, por um passeio pelos pontos turísticos da cidade e, por fim, pela entrega de sua nova moradia provisória. Como sou rebelde, resolvi tirar um tempo para conhecer estas pessoas e saber como melhor poderia ajudá-los na sua adaptação a esta nova realidade cultural.
            Abdul relatou que durante uma década de lutas e suas consequências, tornou-se impossível permanecer em sua terra natal. Por quê? Perguntei eu. “Eu encontrei razões justas para tornar-me um terrorista”. Desde o emblemático setembro de 2001, este jovem viu o poder de forcas internacionais com justificativas até hoje ilegítimas destruir sua história, o desenvolvimento do seu país, a dignidade de sua religião e sua identidade.
            Em 2003, seu pai morreu juntamente com seus dois tios quando defendiam sua família e Estado contra a ocupação de tropas americanas e inglesas. No fim de 2004, suas três irmãs, sete primas e sua tia - que trabalhava como merendeira em uma escola primária - perderam suas vidas porque um ônibus escolar foi “erroneamente” atingido por bombas americanas perto de uma mesquita. Minutos depois, a mesquita que sua família frequentava foi totalmente destruída. Dois de seus sete irmãos foram feitos prisioneiros e nunca mais foram vistos, exceto um deles num vídeo vazado na internet em que soldados americanos insultavam e abusavam prisioneiros iraquianos. Este vídeo já foi deletado, mas um documentário mostrando muitos fatos controversos da guerra - entre eles trechos deste vídeo mencionado por Abdul - podem ser vistos aqui.[ii] Dois meses depois do massacre que matou, num ônibus, 53 crianças e seis adultos - além de 12 pessoas numa mesquita próxima, incluindo seu avô e melhor amigo - a mãe de Abdul faleceu. A causa da morte, como já se pode prever: coração partido. Mohammed, na época com três anos, encontrou sua mãe pendurada na porta da casa.
            Enquanto meu coração fraco se agitava e as lágrimas gemiam como turbina de fora para dentro, eu percebia a sensibilidade dos eventos tão vivos na memória daquele jovem da mesma idade que eu. Vi em suas lágrimas e olhos de fúria, na sua respiração descontrolada e nos seus pulsos fechados o quanto tudo ainda doía. Um coração que nunca seria livre para pousar em paz, para amar ou reconhecer/aceitar amor. Sua dignidade foi pisoteada. A alegria de viver em um mundo onde ele é o inimigo doía no peito. Sua única razão para viver está em querer proporcionar oportunidades para seus irmãos que, de acordo com ele, conhecerão os fatos, mas não a razão por trás deles.
            Abdul, na época com 17 anos, pegou alguns objetos da sua casa e vendeu para viajar com seus dois irmãos para o Norte.  Ele pediu auxílio às tropas que mataram os seus. Ele foi exilado para o Norte, aprendeu inglês e, depois de seis anos trabalhando, pediu asilo na embaixada alemã no Iraque. A fuga da verdade foi sua única maneira de dar liberdade para seus irmãos. Ele falou que se envergonha por não ter buscado justiça e retribuído suas dores. Contudo, recordava de quando seu pai o ensinou que depois do “arquitetado atentado de 2001” (em suas palavras), ele e seus irmãos deveriam viver de modo a mostrar a verdade de sua religião para o mundo. 
            Depois de conversarmos sobre muitas outras coisas, ele me perguntou: quem você acha que são os verdadeiros terroristas? Na minha mente imaginei outros jovens na mesma situação que eles, ou mais de 120 mil civis inocentes mortos por tropas americanas até o ano passado no Iraque (além dos 40.000 soldados iraquianos, tidos como “culpados”). Lembrei-me de documentos oficiais publicados pelo Wikileaks, que revela o conhecimento estadunidense sobre a inexistência de qualquer arma de destruição de massa e mísseis no Iraque, e que eles já haviam desativado tudo desde 1991. Vi a imprensa mundial e sua imundície; as Nações Unidas (organização de paz) que não teve poder político para impedir a esta invasão. Lembrei-me de outros amigos islãs da Jordânia, Irã e Palestina que mantenho contato até hoje e que sempre se sentiram marginalizados por aqui. Enfim, minha mente teve um daqueles relâmpagos onde tudo se encaixa ou se desencaixa e respondi: não sei quem são os verdadeiros terroristas, mas procurarei saber depois desta conversa. Só ouvi o tom de promessa na minha fala quando já tinha soltado as palavras. Isto era tudo que eu precisava para estacionar minha carreira de administrador e me dedicar à verdade latente em mim, a notícia, a denúncia de fatos que poucos enxergam, na transferência de acontecimentos, ou até mesmo, no embelezamento da minha vida pela arte.
          Nós, infelizmente, somos manipulados por um sistema midiático que nos ensina como pensar e no que pensar. Nossa sociedade é dominada pelos maus costumes e tradições que nos impedem enxergar o lado da história que nos machucaria. De acordo com Marilena Chauí (2006, p.13):

“os meios de comunicação tradicionais (jornal, rádio, cinema, televisão) sempre foram propriedades privada de indivíduos e grupos, não podendo deixar de exprimir seus interesses particulares ou privados, ainda que isso sempre tenha imposto problemas e limitações à liberdade de expressão, que fundamenta a idéia de opinião pública.”[iii]

            Enfim, fomos domesticados a aceitar as coisas como são, não enxergarmos como poderiam ser e, se o fazemos, não agimos pra defender nossas utopias interiores. Para termos uma consciência livre da culpa, universalizamos o erro: “político é tudo igual mesmo”. Ou, simplesmente, vendemos nossas convicções por meio da aceitabilidade alheia sobre o velho adágio: “uma andorinha só não faz verão”, levando ao caos atual da despolitização. Chauí citando Blachot (1978): 

“A prática é substituída pelo pseudoconhecimento. Pelo olhar irresponsável, por uma contemplação superficial, despreocupada e satisfeita. O mundo vira espetáculo do espetáculo da comunicação. O homem, bem protegido entre quatro paredes de sua casa e de sua existência familiar deixa que o mundo venha a ele, sem perigo, certo de que não vai mudar porque vê e ouve. A despolitização está ligada a este movimento. E o homem de governo, que sempre temeu e teme a rua, alegra-se por ser apenas um empreendedor de espetáculos, hábil em adormecer em nós o cidadão a fim de manter acordado na semiobscuridade e na semi-sonolência o infatigável olhador de imagens.”[iv]

            Foi apenas quando li no Facebook esta semana um dos meus melhores amigos publicar uma reportagem do The New York Times, jornal conhecido por uma política nacionalista, que senti a necessidade de começar o meu trabalho de escrever o que aprendi. A reportagem era sobre árabes que sequestram membros internacionais e pedem resgate[v]. Este meu amigo, iludido em suas boas intenções, escreveu na sua linha do tempo: 

“Concordo com os Estados Unidos nesta aqui [a reportagem]. Nós não pagamos resgates para terroristas, não os financiamos. Quando necessário, sem negociação disponível, nós eliminamos todos eles. Triste, mas necessário." Perturbado com seu comentário, interferi relatando este outro lado do terrorismo e ele continuou. "...Temos de lidar com extremos quando enfrentamos situações extremas. Não há tempo para negociar, e não há razão para fazê-lo, quando eles capturaram e estão torturando os filhos de sua nação. Ele [o Sr.Leal, assunto da tal reportagem] é apenas um reflexo de muitos outros americanos que perderam suas vidas enquanto eles estavam lutando por um mundo melhor, um mundo mais seguro para mim e para você... Os seus sonhos, como também os de sua família foram interrompidos...”. 

            Não, caros leitores, ele não estava se referindo ao meu amigo Abdul-Salam, nem aos seus irmãos, nem às milhares de histórias como estas. E sim, a algumas vidas que são tidas por órgãos internacionais como mais preciosas que outras.[vi] Se seguirmos a lógica de meu amigo, estes países de terroristas subjulgados pelo poderio político e econômico de grandes nações deveriam atacar as nações que os destruíram. Estes são milhões de mulçumanos justos, ricos e com GRANDES e JUSTAS razoes para serem terroristas. Se vivemos ainda em um mundo equilibrado, é porque eles decidiram esquecer e superar a lei universal da ação e reação e o seu orgulho pessoal. Eles são muito melhores que eu e muito de vocês que nunca levaríamos desaforos para casa. 
        São eles mesmos os verdadeiros terroristas? Ou somos nós que por ignorância ou pseudo-intelectualidade apoiamos ou consentimos estes atos de barbaridade? Existem muitos aí fora como meu amigo, que por conta do acesso à uma mídia duvidosa, a uma crença oca ou por causa de seu nacionalismo cruel e uma sede de justiça não enxergam. Neste caso, raramente podem enxergar. Como canta Criolo: ''As pessoas não são más, mano, elas só estão perdidas. Ainda há tempo. ''[vii]


Os verdadeiros terroristas - Soldado americano denuncia

Documentário sobre os bastidores desconhecidos da Guerra do Iraque (Em inglês)

Vídeo que revela a "estratégia" desconhecida das tropas americanas




[i]http://www.masf.brandenburg.de/sixcms/detail.php/bb1.c.187975.de
[ii] http://www.youtube.com/watch?v=YhmqOtulNYc
[iii]CHAUÍ, Marilena. Simulacro e poder. São Paulo. Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.
[iv]CHAUÍ, Marilena. Simulacro e poder. São Paulo. Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.
[v] http://www.nytimes.com/2012/12/13/world/africa/kidnappings-fuel-extremists-in-western-africa.html?smid=fb-share
[vi]Nota: o autor não é antiamericano, e sim, admira o que este representa na “evolução” do mundo moderno. Contudo, os prepertrores nunca podem ser vistos como inocentes.
[vii]http://letras.mus.br/criolo-doido/977336/

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O mais novo Sorriso De Bruna Caram



“Me entregar a cada sonho, cada esquina, cada olhar”. Nesses versos de “Bem Vindo”, faixa que abre seu mais novo CD, “Será bem vindo qualquer sorriso”, a cantora e compositora paulistana Bruna Caram me confirma uma teoria que traçava sobre ela de algum tempo: seu canto sempre me arranca um sorriso, alegra meus espirito e me deixa com vontade de sair dançando e girando por aí. 

Bruna Caram estreou em 2006 com o álbum “Essa Menina”, recheado de composições próprias e/ou com parceiros. Seu segundo álbum, Feriado Pessoal foi lançado em 2009. A faixa título foi escrita por Bruna. Destaco as regravações de canções de Lô Borges (“Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”), Guilherme Arantes (“Cuide-se Bem”) e Caetano Veloso (“Gatas Extraordinárias”).

E nesse terceiro CD, Bruna cresce na simplicidade de seu canto, de sua musicalidade e nas canções que interpreta. “Caram reitera essa personalidade, mostra crescimento artístico e começa a se destacar neste país de cantoras com seu disco mais redondo.” (Blog Notas Musicais)

No time de compositores de “Será bem vindo qualquer sorriso”, Jorge Ben Jor (“Minha teimosia, uma arma pra te conquistar”, com um toque bluesy), Zé Rodrix (“Não perca o final”), Djavan (“Flor do medo”). Destaque para a balada “Esfera” (Paulo Novaes); a viciante “Pode se animar” parceria de Bruna com Pedro Luís; e “Especialmente criativa”, a primeira música de Mallu Magalhães gravada por outra intérprete.


Ano passado tive a chance de ir a um show dela em Fortaleza. Já era fã, e lá foi a consagração. Mas o melhor de tudo foi ver o público presente se encantando com aquela desconhecida talentosa e sair extasiado. Conheça Bruna Caram e experimente uma mistura de baladas, blues, pop e bossa nova. Vários sorrisos estão garantidos.




Álbum: Será bem vindo qualquer sorriso
Ano:  2012

Faixas:
1. Bem-vindo (Paulo Novaes)
2. Não Perca o Final (Zé Rodrix)
3. Esfera (Paulo Novaes)
4. Minha Teimosia Uma Arma Pra Te Conquistar (Jorge Bem Jor)
5. Flor do Medo (Djavan)
6. Pode Se Animar (Bruna Caram e Pedro Luís)
7. Amanhecendo (Caê Rolfsen, Leo Bianchini e Pedro Viáfora)
8. Especialmente Criativa (Mallu Magalhães)
9. Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto)
10. Purinho (Bruna Caram) / Vão Me Levando (Dosinho)
11. Peito Aberto (Dani Black)

Mais uma generosa contribuição do nosso ilustre correspondente e consultor de assuntos MPBístícos  Nonato Ribeiro


domingo, 23 de setembro de 2012

Emilie Simon







Boa tarde povo!!!!

Desde que comecei a escrever aqui sempre quis falar a Emilie Simon, mas sempre excitei um pouco, suas canções a primeira escuta parece tão simples, mas a cada vez que se escuta de novo essa sonoridade mexe com você cada vez mais! E foi por isso que sempre tive um pouco de medo, de não conseguir descrever de forma fidedigna o trabalho dela.

Ainda lembro a primeira vez que ouvi ela, zapeando por ai (naquele tempo eu tinha tempo de ficar de bobeira na frente da tv) parei na Sony, que naquela época costumava passar um ou outro clipe durante os comerciais, eis que passava o clipe de Flowers, que era simplesmente encantador! Lembro que depois disso sempre ficava esperando os comerciais da Sony, na esperança de assistir e ouvir a Emilie Simon novamente.




A Emilie nasceu Montpellier (França) filha de uma musicista e um engenheiro de som, cresceu num ambiente muito mais do que favorável para fazer florescer o seu talento (que não é nada pequeno), ela teve uma formação musical formal, passando por entre outros lugares na universidade de Sorbone e pela IRCAM. No início de sua carreira deu alguns passos pelo jazz, flertou também com o rock até finalmente se encontrar na música eletrônica, o seu debut intitulado Emilie Simon eu classificaria como Trip Hop, embora tenha visto algumas outras por ai, como simplesmente “eletrônica” ou até mesmo “fofinha music”. 

O que acho uma das características mais bacanas da Emilie é que mesmo no inicio de sua carreira ela não se prende ao rótulo, os elementos eletrônicos são um fio condutor, ou se quiser ser mais enfáticos a espinha dorsal do seu trabalho, que vai muito além disso, que em seu primeiro álbum é bem ilustrado nas faixas “I Wanna Be Your Dog” deliciosa versão dos Stooges, que representaria a pegada mais eletrônica do disco, em contraposição a “Chanson De Toile” construída em cima da doce voz da Emilie dialogando com uma harpa, uma flauta e um cello. A Emilie além de cantar e compor, também participa ativamente da produção do seus discos, então, desde seu debut fica bem clara a visão da moça, que mesmo crescendo com o tempo traz sempre uma ideia consistente em seus álbuns, sendo traduzido num trabalho muito coeso!

Para uma estreia seu primeiro álbum superou expectativas, foi sucesso de crítica chegando até a ganhar prêmios! Gosto muito desse álbum, mesmo não achando que seja o melhor dela, mas me traz muitas lembrança boas, de um tempo menos complicado. (Carol, lembra da história do Mimoso, naquele dia eu estava escutando a Emilie Simon! Hehehehe).

Em 2005 a Emilie lançou seu segundo álbum, na minha opinião um dos melhores momentos de sua carreira, a convite do produtor Luc Jacquet ela foi convidada a compor a trilha sonora do documentário La Marche de l’Empereur (adaptado para o português como A Marcha do pinguins), a Emilie aceitou o convite e o resultado é uma sonoridade completamente nova, uma trabalho minimalista, semi-instrumental, que cria uma som que simplesmente etéreo! Aqui ela “recicla” a faixa “To The Dancers In The Rain” (do Emilie Simon) que agora fica ainda mais delicada e vira “To The Dancers In The Ice”. Se num primeiro momento a Emilie cantava em francês e inglês, nesse segundo álbum, quando há letras, elas são cantadas exclusivamente em inglês (para que o documentário alcance um público maior), e curioso que o filme nos EUA foi lançado com uma outra trilha sonora, essa não composta pela Emilie. 



Aos que ainda não viram recomendo muito que vejam o documentário, que conta a saga dos pinguins imperadores que todo anos fazem uma migração de milhares de quilômetros para se reproduzirem, enfrentando as piores temperaturas possíveis além dos predadores naturais, o documentário mostra de forma única a formação dos casais de pinguins e como eles dividem os cuidados com sua prole, simplesmente fantásticos! Mas aos que forem direto a trilha sonora atenção especial as faixas “The Voyage” e “Antarctic (extended version)” na minha opinião as que melhores representam o álbum.

Seguindo temos o Végétal, eu diria que é um trabalho numa embalagem mais “consumível”, mas o que não tira a qualidade do trabalho em momento algum. A faixa que abre o álbum é “Alicia” que é uma menina meio humana meio planta, a faixa traz uma instrumentação com maior peso sobre as cordas, principalmente violinos e em segundo plano os cellos, que volta a aparecer com mais importância um pouco mais adiante. Seguindo temos a faixa “Fleur de saison” de onde saiu o primeiro clipe do álbum, aqui a Emilie brinca um pouco com o rock, essa música representa bem o momento que a carreira dela se encontra, é sem dúvidas tempos de mudar, mudanças drásticas e sem medo! Nesse álbum também destaco a terceira faixa “Le vieil amant” que começa com toda a  delicadeza do trip hop francês e termina com um solo de cello, simples, contudo simplesmente lindo!



No mesmo ano a cantora ainda lança o The Flower Book, que é lançado nos EUA e é uma compilação dos seus três álbuns anteriores, com algumas poucas novidades em algumas músicas, mas sem inéditas.

2007 é o ano do ao vivo! É lançando o L'Olympia, a primeira faixa é “Dame de Lotus” (Végétal) que traz uma sonoridade oriental, com a qual a cantora tem claramente uma “quedinha”, aqui os violinos (que brilham mais no estúdio) dividem espaço com uma guitarra, que permeia quase todo o show. Particularmente não gosto da versão de “Sweet Blossom” acho que nesse caso a guitarra termina “poluindo” a música. Encerrando a Emilie faz um cover de Come As You Are, o qual eu gostei muito, mas tenho certeza que fãs ávidos do Nirvana vão repudiar!

Dois anos depois do L’Olympia saiu o The Big Machine, e nesse momento achei que simplesmente iria deixar de gostar da Emilie, a primeira vez que escutei achei uma porcaria! Mas uma vez passado o impacto inicial, comecei a digerir o disco a entender essa nova Emilie, só depois percebi que estava preso à uma imagem estática dela, e nesse momento em que ela parece atravessar um mais uma vez muitas mudanças, diria até mesmo problemas ou descobertas com relacionamentos e o amor, onde ela deixa tudo bem claro nas primeiras faixas do disco, especialmente em “Dreamland” que além da letras que se inicia com “Where have you been you sweet little girl?” e termina “When the dream will be over / Just try to remember-her / That time is shared with me”, ela passa por um momento em que precisa se encontrar com ela mesma, e dessa vez não só no sentido musical da coisa. Aqui além de continuar o flerte com uma sonoridade mais oriental, sempre sutil, a Emilie começa a explorar os metais, que abrem o disco de forma marcante em “Rainbow” e continuam presentes durante quase todo o álbum, uma vez que você se acostuma e se livra dos preconceitos é um ótimo álbum! O lançamento do álbum é marcado por uma tragédia para a Emilie, uma semana antes do seu lançamento, seu noivo chega a falecer por consequências Influenza A (H1N1).



Mais uma vez a Emilie é convidada para compor a trilha sonora do filme “La Délicatesse” (adaptado para o português como A Delicadeza do amor), dessa vez o convite veio do David Foenkinos, o filme é baseado no livro também chamado La Délicatesse escrito pelo David Foenkinos, e que foi dirigido em parceria com o irmão Stéphane Foenkinos. Nesse trabalho a palavra delicadeza representa perfeitamente o conceito do álbum, que mesmo sendo triste ainda sim consegue ser encantador! Assim como o filme a atmosfera criar é leve e simplesmente apaixonante.

Antes de receber o convite a Emilie já tinha algumas músicas prontas, que serviram como uma luva para o filme, que traz uma estranha coincidência. O filme conta a história de Nathalie (interpretado pela apaixonante Audrey Tautou) que perde seu marido numa acidente de carro pouco depois de casar-se. Na trilha sonora a Emilie declara seu amor e a dor que ainda sente com a perda de seu amado, trazendo profundas reflexões ao mesmo tempo mostra um amadurecimento pessoal e profissional.





A situação se torna bem peculiar vejo o uma filme como uma coincidência única, parace que o filme foi escrito para a própria Emilie, e traz uma visão sem aquele sentimentalismo barato que somos acostumados a consumir com o cinema americano, sem dúvidas é muito difícil e pessoal a aceitação da morte, e como superar um fato desse, o filme traz uma dessas possíveis visões dessa “reabilitação” da vida! Uma que se perde o marido/esposa quando é hora de seguir em frente? Como seguir em frente? Vejo nesse trabalho uma simbiose entre a música (Emilie) e o cinema, é refletido inclusive na semelhança entre a capa do álbum e a do DVD.


                                  


Nesse casamento entre a música, o cinema e a vida real o resultado é simplesmente esplendoroso!

Sem dúvidas a Emilie Simon é uma artista completa e de grande versatilidade! Com suas canções o mundo fica mais leve, trilha sonora perfeita pra um final de domingo preguiçoso!




Álbum: Emilie Simon
Ano: 2003
Faixas:

  1. Desert
  2. Lise
  3. Secret
  4. Il Pleut
  5. I Wanna Be Your Dog
  6. To The Dancers In The Rain
  7. Derneir Lit
  8. Graines D’étoiles
  9. Flowers
  10. Vu D’içi
  11. Blue Light
  12. Chanson De Toile
  13. Desert (English version)
  14. Soléne
  15. Femme Fatale (starring Tim Keegan)
  16. Desert (Avril Puzzle mix)




Album: La Marche de l'Empereur
Ano: 2005
Faixas:

  1. The Frozen World
  2. Antarctic
  3. The Egg
  4. Song Of The Sea
  5. Baby Penguins
  6. Attack Of The Killer Birds
  7. Aurora Australis
  8. The Sea Leopard
  9. Song Of The Storm
  10. Mother's Pain
  11. To The Dancers On The Ice
  12. All Is White
  13. The Voyage
  14. Footprints In The Snow
  15. Ice Girl
  16. Antarctic (extended version)




Álbum: Végétal
Ano: 2006
Faixas:

  1. Alicia
  2. Fleur de saison
  3. Le vieil amant
  4. Sweet Blossom
  5. Opium
  6. Dame de lotus
  7. Swimming
  8. In the Lake
  9. Rose hybride de thé
  10. Never Fall in Love
  11. Annie
  12. My Old Friend
  13. En cendres




Álbum: The Flower Book
Ano: 2006
Faixas:

  1. Song of the storm
  2. I wanna be your dog
  3. Dame de Lotus
  4. Desert
  5. Fluer de Saison
  6. Le vieil amant
  7. Sweet Blosson
  8. Rose hybride de the
  9. Never fall in love
  10. Flowers
  11. Il pleut
  12. Swimming
  13. In the lake
  14. My old friend
  15. To the dancers in the rain




Álbum: L'Olympia
Ano: 2007
Faixas:

  1. Dame De Lotus
  2. Fleur De Saison
  3. Rose Hybride De The
  4. In The Lake
  5. Sweet Blossom
  6. Swimming
  7. Opium
  8. Le Vieil Amant
  9. Ice Girl
  10. I Wanna Be Your Dog
  11. Song Of The Storm
  12. Never Fall In Love
  13. Desert
  14. Alicia
  15. En Cendres
  16. My Old Friend
  17. Graines D'Etoiles
  18. Flowers
  19. Come As You Are




Álbum: The Big Machine
Ano: 2009
Faixas:

  1. Rainbow
  2. Dreamland
  3. Nothing To Do With You
  4. Chinatown
  5. Ballad Of The Big Machine
  6. The Cycle
  7. Closer
  8. The Devil At My Door
  9. Rocket To The Moon
  10. Fools Like Us
  11. The Way I See You
  12. This Is Your World




Álbum: Franky Knight
Ano: 2011
Faixas:

  1. Mon Chevalier
  2. I Call It Love
  3. Holy Pool of Memories
  4. Something More
  5. Bel Amour
  6. Franky's Princess
  7. Sous Les Etoiles
  8. Les Amants Du Même Jour
  9. Walking With You
  10. Jetaimejetaimejetaime
  11. Walking With You
  12. Mon Chevalier


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

And finally you put me first - de Beyoncé ao KUDURU

Boa tarde povo!!!

Mais uma vez vamos falar de música, mas hoje de uma forma diferente, aliás diria que hoje a música fica como plano de fundo para uma outra discussão!

Como todos bem sabem o tempo é curto, e para não deixar as coisas paradas por aqui nada melhor do que trazer mais e mais amigos para tecerem seus pontos de vista, e abrilhantarem esse espaço. Então, sem mais delongas.....


Antes de começar a nossa conversa, quero me apresentar, considero isso importante e educado, visto que é a minha primeira postagem no Protocolo Cult e saber quem escreve e de onde escreve ajuda a definir rumos para a leitura. Sou Poliana, amiga e admiradora d@s[1] Protocoladores do blog, Pedagoga e Mestre em Educação. Sou interessada em análise de imagens na perspectiva da afirmação da identidade afodescendente. Minha pesquisa e meu olhar são guiados pelos Estudos Culturais. Minha conversa, hoje, será sobre música e clipes, mas tentarei me deter às imagens e também nas letras das canções, portanto qualquer limitação ou equívoco que eu possa cometer em relação à música, relevem, não sou expert no assunto e tenho muito a aprender no Protocolo Cult !

Bem, o que me provocou essa postagem foi a linda, maravilhosa, espetacular, divina, majestosa... Beyoncé ! Observando seu novo clipe da música Love on Top, comecei a dialogar com referenciais teóricos que discutem a questão da identidade. Tomaz Tadeu da Silva diz que é por meio dos significados produzidos pelas representações que damos sentido àquilo que somos, além disso, as representações não só refletem uma realidade, mas mais ainda produzem uma realidade, ou seja, as imagens também possuem essa função (utilidade) de representar não só o que somos, mas aquilo que podemos nos tornar. Daí a necessidade e importância das ações afirmativas: afirmar o que está sendo negado, omitido, não-representado, invisibilizado. A identidade afrodescendente tem sido insistentemente negada na história da humanidade, seja na forma da invisibilidade, seja através da estereotipização. Diante da configuração do nosso atual universo imagético, podemos afirmar que, principalmente no Brasil, ser negr@ é tornar-se negr@, é aprender a ser negr@: aprender que somos bonit@s, que somos inteligentes, que somos humanos, que podemos chegar lá (nas universidades, nos altos cargos, nos bons empregos, nos papéis de detaques etc). E, por que precisamos aprender? Quem está dizendo que nós, afrodescendentes, não podemos, não somos, não conseguimos? O discurso oficial é polido, politicamente correto, mesmo assim, as mensagens são explícitas se voltarmos nossa atenção para as imagens. Considerando essa discussão, o clipe de Beyoncé traz uma mensagem de afirmação. Como vocês podem observar no vídeo, o clipe começa com uma espécie de ensaio de Beyocé e seus back vocals, em que apenas um é branco. Beyoncé está com cabelos lisos nessa primeira parte do clipe, com roupas comuns apropriadas para um ensaio. Em determinado momento da música, o mesmo cenário se transforma, Beyoncé e os rapazes aparecem em roupas de show, o local está com jogos de luz (embora permaneça o mesmo local), e a cantora aparece com cabelos cacheados. Novamente o cenário muda e continua o mesmo, ou seja, as luzes mudam, as roupas da cantora e dos rapazes também, e o cabelo de Beyoncé parece estar ainda mais volumoso. A letra da música diz: "Você colocou meu amor no topo" repetindo várias vezes a palavra "Top". Ao aparecer com cabelos diferentes, Beyoncé me fez pensar na questão da identidade em Stuart Hall, em que ele afirma que, neste momento, nós devemos substituir a conjunção "ou/ou", que é excludente, e substituir pela potencialidade do "e", que é essencial na realidade diaspórica. Ser negr@ é, acima de tudo, uma categoria política, portanto, não existe uma configuração física (fenotípica) para poder se identificar como negr@. Porém, admitimos que, como esclarece Nilma Lino Gomes em seu livro "Sem perder a raiz", o alisamento dos cabelos é uma prática que surgiu em um contexto de colonização europeia, mas ter um cabelo liso, alisado não quer dizer que sou menos negr@ ou menos consciente e atuante. Beyoncé também é famosa por usar seus cabelos em cores e formas diferentes: liso, loiro, comprido, curto, cacheado, crespo... A diferença é que Beyoncé está linda de todas as formas, mandando a mensagem: posso TAMBÉM estar bonita com cabelos lisos. Algumas (raras) marcas de produtos de alisamento de cabelos já vem mudando as imagens publicitárias com mulheres negras, a fim de transmitirem essa nova mensagem. Estar com o cabelo liso deixa de ser uma condição para estar bonita, e passa a ser uma opção, assim como pintar as unhas, usar uma roupa diferente, um sapato estiloso ou confortável... dependendo da ocasião, do estado de espírito, da VONTADE.




Só para registrar, eu também observei a presença (esse tipo de representação) de pessoas negras em outros/vários clipes americanos (da programação do Multishow). Os clipes brasileiros que assisto deixam um pouco a desejar nesse sentido, cito como exemplo o clipe da música que estourou a pouco tempo atrás KUDURU, que é um ritmo da Angola. No clipe de Daddy Kall e Latino, há muitas mulheres dançando: brancas e afrodescendentes, porém, as mulheres brancas são as que tem mais destaque: aparecem mais, contracenam mais com os cantores, a câmera dá closes nelas. Tem uma dançarina negra que aparece várias vezes, mas sempre fazendo a dança de forma que parece a forma tradicional e as outras mulheres aparecem apenas rebolando, dançando de forma sensual, ou seja, parece que a negra está ali apenas para ensinar a dança, mas na hora que Latino e o DK estão na boate dançando, flertando, pegando na mão, beijando, abraçando, eles fazem isso com as mulheres brancas.





A população afrodescendente representa mais da metade da população brasileira, somos o segundo país com maior número de negros fora do continente africano, vivemos à sombra da identidade branca por séculos... Está na hora de acordarmos and finally we put us first... TOP TOP TOP TOP TOP

Escrito por Poliana Rezende
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 Uso o @ para contemplar os dois gêneros, uma postura também coerente com os EC que contempla a luta feminista.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

6 Facetas da Gal Costa - Especial MPB (parte 6)

Boa tarde povo!

Hoje estamos encerrando nosso especial de MPB, com a nossa medalha de ouro e também com direito a uma menção honrosa!

Agradeço imensamente, em nome de toda a equipe do Protocolo Cult, a contribuição ímpar do Nonato Ribeiro!

Em 1º - Fa-Tal – Gal A Todo Vapor (1971)




Chegamos ao final de nosso TOP 6 Discos de Gal Costa. Recapitulando minhas indicações dos melhores discos da baiana: em 6º Índia (1973); em 5º Água Viva (1978); o psicodélico Gal (1969) em 4º; Mina D’Água do meu Canto (1995) em 3º; e em 2º, Gal Costa (1969).

"Fa-Tal - Gal a Todo Vapor" é considerado o melhor disco da carreira de Gal Costa pela crítica e seu público. O disco foi gravado ao vivo, produto do show "Gal a Todo Vapor", dirigido por Waly Salomão. Representa o amadurecimento interpretativo da cantora, tanto nos rocks de influência tropicalista, como nos sambas e bossas. Com "Fa-Tal", Gal Costa se tornou definitivamente a musa alternativa da contracultura no Brasil, dos hippies, dos modernos e dos intelectuais. O disco foi lançado originalmente como álbum duplo, um dos primeiros lançados na MPB. 

“Gal Costa, com a sua voz de sereia, estreava o show que seria o símbolo dessa geração: ‘Gal a Todo Vapor’”. Em uma simbiose entre artista e público, a geração que ficaria para sempre conhecida como a do desbunde, faz do show um momento de fuga e sonho, de poder dizer não às convenções de uma sociedade de um país calado pela repressão, mas mutante em seus costumes. Com ele a geração do desbunde elege a sua musa, Gal Costa. O espetáculo torna-se obrigatório durante todo o verão de 1972. (Blog do Jeocaz)

O disco começa com “Dê um rolê”, composta pelos Novos Baianos, que arrebatou os hippies cabeludos. 

Temos a ousada “Pérola Negra” que versava: “tente saber tudo mais sobre o sexo”. Final da década de 60, o amor livre chegando aos brandos costumes da sociedade. E nesta canção, Gal lança um novo compositor no cenário musical brasileiro, Luiz Melodia.

Ainda tem um espaço no disco para homenagem aos amigos: “Bota a mão nas cadeiras” homenageava Maria Bethânia, que cantava essa música em seus primeiros shows. Maria Bethânia ainda é homenageada na música homônima, da qual Caetano escolheu seu nome. Mais homenagens em “Não se Esqueça de Mim (Chuva, Suor e Cerveja)”, uma lembrança aos amigos Caetano e Gil, que estão exilados em Londres.

Chegando ao auge do disco temos a gravação de “Sua estupidez”, de Roberto e Erasmo. A versão resultou em uma das interpretações mais definitivas da carreira da cantora: a melodia, a poesia da letra, a melancolia saudosista e ímpar, cai com perfeição à voz da cantora. 

O clímax do disco sem dúvida é “Vapor barato” (Jards Macalé e Waly Salomão). A música se tornaria o hino oficial da Geração do Desbunde, refletindo essa juventude intelectualmente consciente do momento vivido, mas presa às limitações do regime e da droga. Uma grande canção que fala de partida, mas com um sentimento de esperança do retorno. Destaco a emocionante sequencia de agudos. 





Disco 1
Lado A
1 Dê um Rolê (Moares Moreira e Galvão)
2 Pérola Negra (Luiz Melodia)
3 Mal Secreto (Jards Macalé e Waly Salomão)
4 Como 2 e 2 (Caetano Veloso)

Lado B
1 Hotel das Estrelas (Jards Macalé e Duda)
2 Assum Preto (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
3 Bota a Mão nas Cadeiras (Folclore baiano)
4 Maria Bethânia (Caetano Veloso)
5 Não se Esqueça de Mim (Caetano Veloso)
6 Luz do Sol (Carlos Pinto e Waly Salomão)

Disco 2
Lado A
1 Fruta Gogóia (Folclore baiano)
2 Charles, Anjo 45 (Jorge Ben)
3 Como 2 e 2 (Caetano Veloso)
4 Coração Vagabundo (Caetano Veloso)
5 Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
6 Antonico (Ismael Silva)

Lado B
1 Sua Estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
2 Fruta Gogóia (Folclore baiano)
3 Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão)



MENÇÃO HONROSA

Recanto (2012)



Como escrevi na minha primeira postagem, indico como menção honrosa o último disco lançado pela cantora: Recanto (2012). Quando escutado a primeira vez, vem um estranhamento. Gal experimentou e arriscou nesse novo trabalho, depois de mais de 5 anos sem lançar disco de inéditas. Somente canções de Caetano Veloso, e com muito sons eletrônicos, digitais e autotune. Sem falar nas canções de letras sombrias. Indico, não escute somente uma vez... e surpreenda-se.

Músicas:


01. Recanto Escuro
02. Cara do Mundo
03. Autotune Auterótico
04. Tudo Dói
05. Neguinho
06. O Menino
07. Madre Deus
08. Mansidão
09. Sexo e Dinheiro
10. Miame Maculele
11. Segunda



Escrito por Nonato Ribeiro

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Andrew Bird

Boa tarde estimados leitores e leitoras!!

Abrilhantando as nossas postagens hoje é dia de mais uma presença ilustre! E convidada de hoje é Stefanny Lucena, (quase) doutora, psicologa e amante do teatro!

Em do Protocolo Cult damos as nossas boas vindas a nossa convidada e que essa seja a primeira de muitas outras participações =]


Mergulhar em universos distintos, em novos conceitos e estar aberto a novas formas de pensar não é uma tarefa fácil, até mesmo quando o assunto é música. Esse fato se torna ainda mais difícil quando o que se tem feito no mundo da música, na música popular, tem muitas vezes, apenas o objetivo de fazer mais um produto pra vendas no mercado. Mas apesar disso, ainda há músicos que rompem com padrão e que se dedicam a fazer algo novo e criativo. Um artista que se destaca por sua inovação e ousadia é Andrew Bird. É tanta criatividade que se torna algo realmente difícil descrever seu som.




O artista norte-americano Andrew Wegman Bird nasceu (11 de julho, 1973) e cresceu em Chicago. Desde criança, Andrew Bird é rodeado por um ambiente rico em música e criatividade, sendo educado desde os quatro anos de idade pelo método Suzuki (forma de aprendizagem que o estudante se relaciona com a música da mesma forma que a linguagem da fala). Aos 23 anos (1996), Bird se graduou em Northwestern University com o título de bacharel em violino. Tanto envolvimento com o mundo musical gerou um artista compositor, cantor e multi-instrumentista que consegue juntar o rock, folk, jazz, blues e música clássica e produzir um bom som. No mesmo ano que se graduou, Bird inicia sua longa carreira musical, com seu primeiro solo com o álbum Music of Hair. Desde então, Bird não parou por aí, ele fez suas primeiras aparições ao comércio musical com um trabalho colaborativo com a banda Squirrel Nut Zippers (de 1996 a 1998). Ao liderar a banda Bird's Bowl of Fire, Bird lança o álbum Thrills (1997), em seguida lança o terceiro álbum Oh! The Grandeur (1998). Em 2001, Bird lança seu último álbum junto com a banda Bird's Bowl of Fire, o The Swimming Hour. A banda teve fim oficialmente em 2003 e Bird continuou com sua carreira solo que rendeu mais 5 álbuns.




Em carreira solo, Andrew Bird se sobressaiu no cenário alternativo por compor músicas belíssimas unindo instrumentos como guitarras, violinos, bandolim, mini metalofone e assovios, formando um som único. A criatividade e ousadia desse compositor não param por aí, ele também inovou por não se preocupar apenas nos significados das palavras, mas por ir além enfatizando nas sensações que a música pode trazer. Se você, caro leitor, ao ouvir uma música procurar sequencias lógicas ou letras conexas de músicas, talvez você fique surpreso ao ouvir Andrew Bird.




No álbum Noble Beast (2009) Bird deixa claro esse interesse em trazer sensações sinestésicas em suas músicas. Nessa busca por sensações musicais, ele chega a utilizar palavras com linguagens arcaicas e exóticas nas letras das músicas, como a palavra ‘coprofagia’, em Tenuousness. Ao percebermos as letras de Noble Beast, conseguimos captar seu interesse em elementos relacionados com a botânica, insetos, micro-organismos e afins. Essa combinação de sentidos, cores e cheiros, encontradas nas músicas do álbum foram criadas com o objetivo de dar textura e formar uma paisagem natural nas músicas, diz Bird em uma entrevista. Depois desse álbum, o músico seguiu em uma turnê que mundial que gerou até um documentário “Fever Year” que circulou por vários festivais de cinema.




Três anos após Noble Beast, Bird lança seu novo álbum Break It Yourself, ainda esse ano. O artista nos surpreende com o álbum que foi gravado em um celeiro. Na música Belle é possível até ouvir o som de grilos, o que torna o álbum ainda mais vivo. O álbum traz sensações de naturalidade, espontaneidade, alegria que dá vontade de cantarolar, mesmo quando as letras não condizem com esses sentimentos, exatamente como Bird descreve em seu site oficial “is more often an overflowing of joy (…) even when the content is sadness or rage”.



Escrito por Stefanny Lucena

domingo, 9 de setembro de 2012

6 Facetas da Gal Costa - Especial MPB (parte 5)

Boa tarde povo!!

Estamos quase no final da nossa saga Gal, e eu já mudei completamente o meu conceito sobre ela! e a medalha de prata foi um dos disco que mais gostei =]

Em 2º – Gal Costa (1969)






A medalha de prata dos discos de Gal Costa vai para álbum homônimo, o primeiro lançamento solo da cantora, após estrear no cenário musical brasileiro com “Domingo”, em parceria com Caetano Veloso. Gal já estava com os olhos do país direcionados para si, ao ter participado do disco-manifesto “Tropicália ou Panis et Circensis”, após defender a canção “Divino, Maravilhoso” no IV Festival da Record, e juntamente com Caetano e Gil, apresentado um programa, como o mesmo nome da canção, na extinta TV Tupi. O Programa (dito “dos tropicalistas”, em contraponto aos programas Fino da bossa e Jovem Guarda) foi tirado do ar pelos militares.

Neste disco Gal Costa consolidou sua filiação ao Tropicalismo, movimento estético e musical que mudou a feição brejeira, lírica e ingênua da MPB (leia-se Bossa Nova e Jovem Guarda). Na verdade, seria a Tropicália o elo entre os outros dois movimentos??? No disco “Gal Costa”, temos um repertório menos bossa-novista e com grandes doses de iê-iê-iê, frutos da influência de Caetano e Gil, e também de seu empresário, Guilherme Araújo, que queria tornar Gal Costa numa nova espécie de cantora comercial, mais carismática e agressiva, uma super-Wanderléia, segundo Caetano Veloso no livro "Verdade Tropical". O resultado é que o disco recebeu ótima aceitação para uma artista iniciante tanto de crítica quanto de público (vendendo mais de 100 mil cópias), e produzido algum dos grandes hits da carreira de Gal, como "Não identificado" e "Que pena". 

Entre as músicas, temos composições inéditas de seus companheiros tropicalistas Caetano (na mítica canção urbana, rejeitada por Bethânia, “Baby”, com a participação especial do compositor), Gil e Tom Zé, mas também com músicas especialmente compostas para Gal por Jorge Ben ("Deus é o amor") e Roberto Carlos e Erasmo Carlos (a reflexiva "Vou recomeçar"). Da dupla da Jovem Guarda, Gal ainda gravaria o rock “Se você pensa”. Tanto Gil como Caetano, cada um, participam de duas músicas no disco.

Também é nesse disco que Gal Costa resgata pela primeira vez um clássico da MPB, o alegre e provocante xaxado "Sebastiana", um dos maiores sucessos de Jackson do Pandeiro.



Impossível destacar um hit do álbum, dado a identificação que você vai perceber com todas as músicas ao escutá-lo. As canções “Não identificado”, “Divino, maravilhoso” e “Baby” expõem o brilhantismo do álbum, o momento tropicalista da MPB e nos deixa claro como Gal é uma das maiores cantoras de nosso país.

Músicas:
Lado A
1 Não identificado (Caetano Veloso)
2 Sebastiana (Rosil Cavalcanti) com Gilberto Gil
3 Lost in the paradise (Caetano Veloso)
4 Namorinho de portão (Tom Zé) com Gilberto Gil
5 Saudosismo (Caetano Veloso)
6 Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Lado B
1 Vou recomeçar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
2 Divino, maravilhoso (Gilberto Gil e Caetano Veloso)
3 Que pena (Ele já não gosta mais de mim) (Jorge Ben) com Caetano Veloso
4 Baby (Caetano Veloso) com Caetano Veloso
5 A coisa mais linda que existe (Gilberto Gil e Torquato Neto)
6 Deus é o amor (Jorge Ben)

Escrito por Nonato Ribeiro

sábado, 8 de setembro de 2012

O que é, afinal, Estudos Culturais?






Como minha primeira dica de leitura trago o livro O que é, afinal estudos culturais? Que  traz um conjunto de três ensaios, organizados pelo Tomaz Silva, sobre os Estudos Culturais, sua história, seu objeto de estudos, as metodologias que usa e sua evolução, sob a luz dos estudos que se tornaram referência para a área do conhecimento, que hoje é conhecida como Estudos Culturais.

Acho que esse livro é uma boa leitura, embora que traga apenas uma visão sem grande profundidade nos Estudos Culturais, tenho lembrado muito desse livro enquanto estou no facebook e vejo muitas imagens discriminatórias com relação ao funk, dizendo que funkeiro não tem cultura, entre outras coisas.

E um dos pontos chaves dos estudos sobre culturas é a mudança do conceito da própria cultura, onde antigamente era visto como o mais belo e produzido por alguém ou alguma sociedade e numa visão moderna é aceito o conceito de cultura como o produto de diversas práticas sociais. Então dentre as muitas coisas que o livro nos ensina, ele nos ensina a respeitar as diferenças e a não hierarquizar as culturas.

Bem, feitas essas considerações vamos agora dissecar o livro! O primeiro ensaio “O que é, afinal, Estudos Culturais”, também dá nome ao livro, escrito por Richard Johnson. Esse ensaio, o mais denso de todo o livro, aduz sobre a evolução dos Estudos Culturais, vendo-o como um movimento ou uma rede, tem como uma de suas mais fortes raízes os estudos da crítica literária, mas estabelece fortes relações com a Sociologia, a História, a Comunicação, entre outras.

O autor define ponto fundamental para a realização dos Estudos Culturais a crítica, que em virtude da sua abertura e versatilidade teórica, “apropria-se dos elementos mais úteis, rejeitando o resto” (p. 10). E é justamente a crítica feita ao marxismo que o autor descreve como uma das características mais forte dos Estudos Culturais.

É dedica grande atenção a criação de estratégias para uma definição, além da própria definição do que seria os Estudos Culturais, embora o autor conclua dizendo quem não seria vantajoso uma definição única. O autor segue explorando todos os fatores que influem no projeto, e realização, dos Estudos Culturais como a questão da abstração e subjetividade, as teorias, publicações, as formas de cultura, nesse ponto é salientada a importância da pesquisa de campo para os Estudos Culturais.

Ponto que merece especial atenção é quando o autor analisa as relações de poder, a predileção por determinados temas e a exclusão de outros. Ao longo do ensaio são apresentados muitos conceitos, que se mostram bastante complexo, o que junto aos exemplos, às vezes demasiados longos, dificulta a compreensão do texto.

Interessante como o autor vê os pesquisadores dos Estudos Culturais como leitores da sociedade, ponto que evidência a importância da etnografia para os Estudos Culturais.
O segundo ensaio é o da Ana Carolina Escosteguy, “Estudos Culturais: uma introdução”, no primeiro momento do texto a autora deixa claro que o objetivo do ensaio é o de apresentar a tradição dos Estudos Culturais.

Os Estudos Culturais nascem na Inglaterra, “sob o ponto de vista político, os Estudos Culturais podem ser vistos como sinônimo de ‘correção política’, podendo ser identificados como a política cultural dos vários movimentos sociais da época de seu surgimento” (p. 137), em todo o momento a imagem dos Estudos Culturais é de um movimento politizado.

Um marco para os Estudos Culturais é a criação do Center for Contemporary Cultural Studies – CCCS, por Richard Hoggart em 1964. A autroa cita, sem se aprofundar muito, três trabalhos como o alicerce dos Estudos Culturais, são eles: The uses of literacy (Richard Hoggart). Culture and society (Raymond Williams), The making of  the english woking-glass (E. P. Thompson).

A autora segue voltando sua atenção para o deslocamento feito pelo Estudo Culturais, como dos eixos de pesquisa, o próprio deslocamento geográfica, mas salientamos como mai importante o deslocamento do termo Cultura, que passa a ser visto como qualquer prática social.

Na conclusão do ensaio a autora reflete sobre a internacionalização dos Estudos e, por conseqüência, e surgimento de novos eixos de pesquisa, com, a pós-modernidade “Nova Era”, globalização, a força de migrações e papel do Estado-nação e da cultura nacional e suas repercussões sobre o processo de construção das identidades.

O último ensaio é “O Center for Contemporary Cultural Studies (CCCS) da Universidade de Birmingham: uma história intelectual”, escrito pela Norma Schulman. Este traz a história do CCCS através da visão dos estudos que exerceram (e ainda exercem) grande influência no pensar em Estudos Culturais.

O Centro nasce sob a direção de Richard Hoggart, que salienta que os Estudos Culturais, embora traga muito de outras disciplinas, constitui uma nova disciplina acadêmica. Que com seu objeto de estudo entra em conflito do o pensamento da elite.

É dedicado um breve espaço para falar sobre as origens de Richar Hoggart e Raymond Williams, e os pontos compartilhados por ambos na visão acadêmica.

A autor dedica grande parte de sua atenção aos “atritos” gerados pelos Estudo culturais, primeiro em dissonância com o pensamento da elite acadêmica, a resistência da Sociologia em aceitar os Estudos Culturais, por medo de perder seu espaço, e também a ruptura com a os Estudos Literários.

A autora firma dois momentos do CCCS a respeito da visão, no primeiro (década de 60), o foco era na reinterpretação marxista. No segundo momento (sob a direção de Hall) o foco passa a ser a cultura como espaço de resistência e conflito potencial.

Sob a direção de Stuart Hall o CCCS caminha rumo a uma convergência no pensamento e objeto de estudos com os estudos da área da Comunicação, em sua relação com a cultura de massa.

Um pouco mais adiante a autora retoma a criação dos Estudos Culturais ao falar do surgimento da Nova Esquerda, “um movimento político fortemente socialista, antiimperialista e anti-racista, favorável à nacionalização das principais indústrias e da abolição do privilégio econômico e social” (p. 186). E também algumas publicações como a revista New Left Review tem fundamental importância para a consolidação e a disseminação dos Estudos Culturais.

Uma visão interessante que a autora traz, é acerca de alguns problemas enfrentados pelo CCCS, como a resumida equipe docente, além de problemas financeiros e a possível assimilação pelo Departamento de Literatura da Universidade de Birmingham.

O texto é concluído de forma instigante, quando a autora, aduz sobre do movimento feminista e as questões de raça, e pergunta: Qual é o peso que se deve atribuir às questões de classe, gênero, e raça?

Por tratar-se de um estudo introdutório, como complemento aos ensaios, são trazidos no fim do livro uma bibliografia de documentos em suporte tradicional e também uma de sites relacionados aos Estudos Culturais, que abrem os caminhos para o leitor que deseja se aprofundar na área.


SILVA, Tomaz Tadeu da. [Org.]. O que é, afinal, Estudos Cultarais? Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

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